Fevereiro 23, 2026
A Paisagem e os Megaprojectos aprovados (e/ou em curso) em Portugal
A Paisagem é o que nos suporta.
Os ecossistemas muitas vezes milenares são sagrados, vivem e interagem enquanto um só. Quando existem disrupções no sistema, tudo muda, tudo se degrada. De Norte a Sul do país, são aprovados megaprojectos que ameaçam a paisagem portuguesa, a sua estabilidade, a sua resiliência, a sua biodiversidade e a sua valorização. 9000 sobreiros e azinheiras foram aprovados para abate em nome do “progresso”.
Num país que é ameaçada pela desertificação, pelo abandono rural e turistificação do território, pela perda cada vez maior de biodiversidade; megaprojectos fotovoltaicos, eólicos como os empreendimentos Sophia ou Alcoutim, pedreiras como as de Barroso, centros de dados como os de Sines, empreendimentos turísticos como os da Península de Tróia entre outros, ameaçam tornar a paisagem monofuncional, monótona, irreparavelmente pouco sustentável e cada vez mais vulnerável a catástrofes naturais.
Em dias catastróficos com comboios de tempestades fulminantes, a decretação pela ONU da “era da falência global da água”, a emergência climática é um assunto de maior importância e dita o nosso rumo enquanto sociedade e espécie humana. Nada substitui paisagens multifuncionais, diversas e interligadas a nível local, regional e nacional.
Enquanto Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas reiteramos que os interesses económicos não podem tornar porções consideráveis do território português um deserto cultural, social e ecológico e desaprovamos publicamente estes megaprojectos e esta agenda “estratégica” em curso. Apelamos para a participação das consultas públicas destes megaprojetos em portais como o participa.pt e a leitura informada na imprensa nacional e plataformas e organizações ambientais como a Quercus, Zero, LPN, SPEA, Wilder, Dunas Livres entre outras. Este debate deve ser o mais aberto e alargado possível tanto nos órgãos sociais como na própria sociedade, porque só unidos chegaremos a bom porto. O correcto ordenamento do território e políticas que visem a conservação e incremento da natureza tem de ser postos em prática, sem isso, não vamos resolver os problemas na raiz. As mortes que hoje nos assolam merecem acção colectiva e coragem política.
A Paisagem é sagrada.
A Paisagem não é negociável.
A Paisagem é um sistema essencial à nossa sobrevivência e das gerações futuras.
A lutar pela paisagem e em luto pelas vidas humanas,
23 de Fevereiro de 2023
Vicente Santa Rita, Delegado Estudante da APAP



